Clara estava grilada. Caminhava para a escola com uma fumacinha em cima da cabeça, pensando como seria chato reencontrar o povo insolente da sua turma.
Resolveu, então, fazer um caminho mais longo. Iria pelo parque, para mudar seu humor. Árvores e terra molhada ajudariam a refrescar o cérebro.
Era um dia de sol com ar fresco. Sentada num banco, Clara distraiu-se com o barulho das folhas ao vento. Embalou-se na dança das sombras e da luz refletida nos troncos das árvores. Até cair num sono leve, e perder a noção. Não sabia se estava pensando ou sonhando.
O movimento das coisas começou a ficar mais lento, turvo, como se ela estivesse debaixo d’água. Não sentia mais o vento frio, e sim uma quenturinha de banheira de bebê.
Quando Clara abriu os olhos, tudo permaneceu turvo e lento e multicor. Mais uma alucinação? Bom, pelo menos, desta vez, não cambaleou ao se levantar.
Olhou ao seu redor e... Ops! Deu-se conta de que fora engolida por uma bolha de sabão! Quem estava brincando com ela? Girou em torno de si, mas não encontrou nenhuma criança sapeca. Só o guardinha, que continuava cochilando em sua cabine.
Ao dar um primeiro passo, a bolha movimentou-se com Clara, e foi girando. Ela entrou no clima da brincadeira. Saiu do parque dando cambalhotas macias: “blum-blum-blum”.
A danada da bolha não estourou até sua chegada à escola. E, engraçado, ninguém deu bola à sua peripécia. Era como se ela estivesse andando normalmente.
Foi assim que Clara entrou na sala de aula. De bolha e tudo, segura de que estava preparada para novas provas e provações. Ao lado de pessoas legais, outras nem tanto.
3 comentários:
muito bom o texto. eu quero uma bolha dessa pra mim!
seria muito bom se tivesse uma bolha dessa para nos dar segurança em determinadas situações.
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